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Geração recibo verde
por Clara Martins

Primeiro foram apelidados de 'rasca', por serem uma geração sem ideais, quase fútil. Hoje são impedidos de pensar muito sobre o futuro, sob pena de se reverem num cenário não muito risonho.

No início eram os 'rascas'. Foi Vicente Jorge Silva que fez o favor de os chamar assim, num memorável editorial do Público - de que era na altura director - sobre um protesto que visava o aumento das propinas. Referia-se a uma geração de jovens portugueses - hoje ainda jovens mas não tanto - que considerava vazios de ideais e fúteis pelo hábito da vida sempre facilitada.

- Mas porque seriam rascas, o que os marcou e onde estão agora?

Quando eram miúdos viam todos as mesmas séries na televisão, adoravam e comoviam-se com o 'Marco'; alegravam-se com o 'Verão Azul', comiam todos as mesmas cinco marcas de bolachas disponíveis no mercado, os mesmos gelados, passavam férias no Algarve, em Benidorm, ou então na 'terra' dos pais ou avós.

Ainda se lembram de demorar um dia inteiro a chegar ao destino, do outro lado do País, a cantar e a jogar durante toda a viagem, com um piquenique pelo meio, debaixo de um frondoso pinheiro numa qualquer mata ainda por arder. Começaram a fazer reciclagem nesses piqueniques, quando diziam aos avós e ainda aos pais que era feio deixar aqueles restos para trás.

Assistiram ao advento do hipermercado, que lhes mudou a vida, enchendo-a de variedade, nos dias de romaria à grande loja e, mais tarde, ao enorme shopping.

Começaram a vestir Zara quando ainda era diferente e tornaram-na uniforme. É lá que ainda se revovam camisolas de lã já cheias de borboto a cada inverno, e se reforma o roupeiro com as novas tendências, porque a carteira não permite outras aventuras.

Ainda leram muitos livros, e continuam a folhear, uma mão na obra, outra no rato.

A Internet só surgiu nas suas vidas quando a maioria já tinha ultrapassado a 'fase do armário', não puderam, como agora, esclarecer as suas dúvidas existenciais através do Google e, apesar de não terem lá muitos ideais, inauguraram o conceito 'festival de verão', habituados à natureza, em contacto com a qual brincavam quando eram miúdos, alheios à Playstation que só se popularizou quando já eram jovens adultos.

Depois veio a universidade, e o estatuto de estudante vai-se ainda prolongando ao longo da vida desta gente que nunca terá uma reforma e que vive entre o recibo verde e a bolsa de investigação.

Normalmente tudo começa com um estágio profissional, a luz ao fundo do túnel para quem acaba o seu curso. É o primeiro passo no mundo do trabalho, a primeira experiência e às vezes única na área em que se estudou.

Ser bem sucedido é, para esta geração, trabalhar na área que se elegeu para estudar, não fazer muitas vezes o caminho com destino ao Centro de Emprego da área de residência, que está em constante mutação, e ter um salário que nunca ultrapassa (nos casos de maior sucesso) os mil euros.

Estão agora na casa dos trinta, mas a maioria continua a viver como se tivesse 20. A casa dos pais é sempre uma boa (e económica) alternativa, mas a casa partilhada continua a ser uma opção comum. A vida comunitária de estudante prolonga-se no tempo, e vai adiando decisões de estabilidade.

Nunca fazem greve porque os seus empregos são demasiado precários e habituaram-se a ser pouco reinvidicativos. Talvez pelo trauma de voltarem a ser chamados rasca de cada vez que se lembram de manifestar insatisfação por algo que não é considerado um ideal 'maior'.

Vivem sem saber se terão trabalho no mês que vem, fazem um novo tipo de 'biscate'. Entre o recibo verde e a bolsa de investigação, sorte têm aqueles que conseguem um contrato - a termo, é claro - e, já agora, por mais de um ano.

O 'pessoal da bolsa de investigação' chega aos trinta (e tal) sem nunca ter feito um único desconto para o Estado, apesar de trabalhar há anos, sem nunca ter recebido um subsídio, sem quaisquer regalias sociais. É um estatuto cada vez mais comum que pode durar anos.

Não conseguem comprar casa e já se habituaram ao cartão de crédito, aliado precioso para os últimos dias do mês.

Não fazem poupanças e vivem no limbo entre a casa alugada, a viagem de autocarro ou, num estádio já mais complexo, a cada vez mais comum relação à distância. Cada um tem de migrar para onde há trabalho, o que significa tantas vezes ver a vida em comum reduzida ao fim de semana.

Há muitos designers nesta geração sem amanhã. Os que podem ficar por cá com toda a segurança são médicos ou informáticos. Os outros todos, até os engenheiros civis, outrora tão solicitados, fogem cada vez mais para outras paragens.

No dia do trabalhador, lembrei-me de generalizar sobre uma geração com razões para reinvindicar. Pouco valorizado, o seu trabalho é precário e mal remunerado. São interessados e competentes, mas ainda assim têm muita dificuldade em construir uma carreira interessante.

Há 201 anos, a 1 de Maio de 1886, centenas de milhares de pessoas reivindicaram uma redução das horas de trabalho nas ruas de Chicago. Essa manifestação prolongou-se por dias e da batalha entre manifestantes e polícias resultaram vários mortos, de ambos os lados.

O 1º de Maio ficou então marcado pela luta por oito horas de trabalho diário e foi chegando aos vários países onde hoje continua a celebrar-se o Dia do Trabalhador.

- Mas o que significa agora este dia? Se tivessem coragem de falar, qual seria o grito de guerra desta geração outrora 'rasca' e hoje periclitante na corda bamba da empregabilidade?

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Comentários ver todos
Re: Geração recibo verde
(rutepinto, 3 pontos (Bem Escrito) , Terça, 1 de Maio de 2007 às 17:54)
A geração de que fala, e bem, é a geração rasca de ontem…a geração enrascada de hoje…a geração para o desenrasca de amanhã…
Infelizmente eu faço parte dela.

Rute Pinto
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  Re: Re: Geração recibo verde
(Anónimo, 0 pontos , Terça, 1 de Maio de 2007 às 19:01)
a rasca e desenrascam-se
(crisipin, 3 pontos (Interessante) , Quarta, 2 de Maio de 2007 às 21:44)
Que me desculpe o Vicente Jorge Silva mas não existem gerações rascas. Podem existir ideias rascas, pretensões rascas, patrões rascas, empregos rascas, empregados rascas, leis rascas, governos rascas e muitas outras coisas rascas mas gerações…não me parece.
Aqueles assim chamados devido ao seu protesto contra o aumento das propinas tinham toda a razão em protestar. Como todos sabemos as condições de ensino em Portugal é que são rascas, infelizmente como muitas outras coisas por aqui. E são-no desde o primeiro ciclo. Basta ver as notícias de agressão a professores, cometidas por alunos e encarregados de educação rascas; e do primeiro ciclo à faculdade o rasca acompanha-nos nas instalações escolares, no ensino degradado, nos professores de ocasião e sem vocação. Continua depois a envolver-nos no mundo do trabalho:
a forma como patrões rascas (em todas as áreas de actividade mas em hotelaria, restaurantes e afins é demais) subjugam empregados a trabalhar horas nocturnas e dias feriados sem pagamento devido, semanas seguidas sem folgas e sempre com a ameaça do despedimento se não fizerem o que lhes é exigido. Isto para não falar de como os tratam, levando-os à depressão. Depois admiram-se porque 25% dos cidadãos sofrem da doença, para gáudio da indústria farmacêutica que sempre factura mais!
O que existe é uma inspecção de trabalho rasca que permite abusos de todo o género e mesmo quando se mexe devido a alguma denúncia nem sempre leva as coisas até ao fim. Tal como outras estruturas de fiscalização idênticas nosso país são rascas. Se é necessário espremer as gentes para arranjar dinheiro para que o estado atinja as suas metas orçamentais lá vão eles sugar tudo o que podem e não podem, arruinando vidas, destruindo sonhos. O país está de rastos mas quem governa não tem mãos a medir para juntar um pecúlio que logo será esbanjado em carros topo de gama para serviço de funcionários estatais, em cargos criados para os amigos com vencimentos milionários, em mais uma comissão desnecessária para avaliar isto ou aquilo em relatórios que levam anos a concretizar. Fecham-se centros de saúde e hospitais à custa da vida dos cidadãos e no mesmo local lá surge de imediato uma unidade de saúde privada que adquire os terrenos a baixo preço. Rasca é a atitude do presidente da câmara de Lisboa, arguido em processo judicial mas agarradinho ao tacho. Rasca é a especulação mobiliária que o Porto de Lisboa quer fazer com a construção do tal muro com oito metros de altura e mais o hotel e não sei que mais, roubando o rio aos lisboetas. Rasca são os ordenados que se praticam e que fazem rejubilar patrões enquanto as gentes já não sabem como fazer parte ao aumento do custo de vida. E que hipótese tem o povo? Obviamente, desenrasca-se.
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  Re: a rasca e desenrascam-se
(Anónimo, 0 pontos , Quinta, 3 de Maio de 2007 às 2:03)
  Re: a rasca e desenrascam-se
(Anónimo, 0 pontos , Domingo, 13 de Maio de 2007 às 0:23)
Sobre a geração actual
(Coastgun, 1 ponto , Terça, 1 de Maio de 2007 às 16:48)
Infelizmente o que está descrito na crónica é uma verdade sem contestação (excepto o pormenor sobre os trabalhadores a recibo não fazerem descontos para o estado) mas, porque é que isso acontece?
Uma verdade também incontestável é que tornou-se quase hábito ter uma profissão onde não se "produz" mas se trabalha com aquilo que outrém produz (não pretendendo menosprezar as profissões mais intelectuais, onde também me incluo parcialmente).
Após uma década de trabalho assalariado, estabeleci a minha própria empresa (já lá vão cerca de 10 anos também), pelo que já conheço com experiência acumulada de 20 anos os dois lados da barricada.
A verdade é que se publicar um anúncio a recrutar pedreiros e carpinteiros, provávelmente terei uns 6 a 8 candidatos. Se o posto em questão for das chamadas "novas profissões"....quantas (largas) dezenas de candidatos acham que serão?
Juntemos a isso o facto de 60% da população estar concentrada em zonas urbanas....está o quadro pintado...infelizmente !
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Descontos para o estado
(Coastgun, 1 ponto , Terça, 1 de Maio de 2007 às 16:58)
Por distracção minha fiz um comentário inapropriado na questão dos descontos para o estado, visto o artigo se referir a quem recebe bolsas....fica aqui a minha rectificação e as minhas desculpas.
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"Geração Rasca" não arrisca
(Rémura maluca, 1 ponto , Terça, 1 de Maio de 2007 às 17:35)
Recordo-me bem de mais daquele momento "glorioso", em que um punhado de jovens "rascas" mostraram o rabinho ao ministro de então.
Faço parte dessa geração mas estou longe de me rever nela. Porquê? Porque nunca me conformei.
Paguei (e sei o que custava porque não tenho Pais ricos) sempre as propinas, os impostos e estou à 10 anos a recibos verdes. Fiz "mil e um" trabalhos, estive numa mão cheia de profissões, e aprendi sempre em todas.
Instável? Crise? Arrisquem mais e parem de estender a mão. Arregassem as mangas e mostrem a quem "nos" chamou rasca que "somos" tão ou melhores que qualquer geração.
Ah! adorava o Marco e a Heidi, sempre eram um pouco melhores que os Pokemon e companhia.

Cumprimentos
Rémura maluca
   
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  Re:
(Coastgun, 1 ponto , Quarta, 2 de Maio de 2007 às 1:28)
  Re: Re:
(Rémura maluca, 1 ponto , Quarta, 2 de Maio de 2007 às 12:39)
  Desenhos animados
(Anónimo, 0 pontos , Terça, 1 de Maio de 2007 às 18:42)
  Re: Desenhos animados
(Anónimo, 0 pontos , Terça, 1 de Maio de 2007 às 18:50)
Hoje e no Futuro
(Endovelico, 1 ponto (Normal) , Terça, 1 de Maio de 2007 às 20:14)
Não existe isso de ‘geração rasca’. São leviandades proferidas por pessoa ou pessoas normalmente vinte anos mais velhas. E isso acontece, porque pela ordem natural da vida serão as próximas a morrer e daí a acharem-se com mais direitos sobre os demais.
Será rasca o nosso futuro? Se aceitarmos essa ideia, então meus amigos, de nada vale estar vivo.
Amanhã será sempre outro dia…
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Recibo Verde
(Francisco, 1 ponto , Terça, 1 de Maio de 2007 às 23:08)
Não consigo entender onde é que os recibos verdes são algum problema para alguém. Eu próprio estando empregado prescindi do vinculo que tinha para iniciar a recibos verdes sem qualquer medo pois acredito nas minhas capacidades, não tenho medo de arriscar e de trabalhar. O problema é que a maioria quer um emprego, não um trabalho, onde se possa "encostar", pensando que é mais seguro que os recibos verdes.
Recentemente passei de trabalhador independente para empresário e realmente tenho passado as "passas do algarve" com a quantidade de pessoas que já contratei (com contrato a sério) e que posteriormente tive que dispensar, por falta de profissionalismo e vontade de trabalhar. É na hora de dispensar os que não querem trabalhar que entendo porque as empresas contratam/pagam a recibo verde. A nossa legislação é demasiado rígida e penalizadora para as empresas que se vêm com um empregado que não quer trabalhar e ao qual é preciso encontrar uma solução para terminar a relação contratada.
Além da nossa legislação que é realmente um problema sério e desmotivante para as empresas, a falta de educação da população em geral relativamente a dinamismo, empreendorismo, finanças e qualidade de e no trabalho é algo que marca a diferença, pela negativa, entre nós e a maioria dos povos da europa.
responder 
  Re: Recibo Verde
(Anónimo, 0 pontos , Quarta, 2 de Maio de 2007 às 0:29)
  "Com o mal dos outros podemos nós bem..."
(Anónimo, 0 pontos , Quarta, 2 de Maio de 2007 às 0:36)
  Re: Recibo Verde
(Anónimo, 0 pontos , Quarta, 2 de Maio de 2007 às 23:34)
Watch your back, Boomers
(nunoboavida, 1 ponto , Quarta, 2 de Maio de 2007 às 15:08)
Uma resposta plausível poderia ser "Watch your back, Boomers!", tal como caricaturado no Boomsday (http://lifetwo.com/production/node/20070405-christopher-buckley-boomsday-baby-boomer-book ).
Parabéns pela crónica.
Saudações,
nunoboavida@gmail.com
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Chega de precaridade!!
(Anónimo, 1 ponto (Interessante) , Quarta, 2 de Maio de 2007 às 16:42)
Tal como muitos também eu pertenço a esta geração dita rasca. Desenrascar sempre foi o meu lema de vida. Devido a condicionalismos familiares vi-me obrigada a deixar a escola quando completei o 6.º ano, apesar de adorar estudar e de ser uma aluna exemplar. Durante dois anos fui uma autêntica doméstica para ajudar a criar os meus irmãos (7 e todos mais novos que eu). Aos 14 anos comecei a trabalhar numa fábrica de confecções onde permaneci durante 9 anos. Durante esse período, e quando consegui alguma independência para tal (aos 18 anos), recomecei os meus estudos no ensino recorrente. Aos 24 anos consegui ingressar na universidade, onde só me consegui manter como trabalhadora/estudante, pois TODOS os meus estudos foram pagos com o suor do meu trabalho. Durante esses quatro anos, a par do curso universitário, fui operadora de caixa de hipermercado, trabalhei num café e dei explicações. No fim de tanto sacrifício, consegui realizar o sonho de uma vida: ser professora. Mas o pior ainda estava para vir: sou licenciada desde 2004 e o que consegui até agora foram três experiências de trabalho precárias, uma delas a recibos verdes. Neste momento estou desempregada à quase um ano e a tentar emprego por todo o país e mesmo no estrangeiro. Não sei se é falta de sorte, mas falta de esforço e medo do trabalho não é de certeza!
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  Re: Chega de precaridade!!
(Anónimo, 0 pontos , Quarta, 2 de Maio de 2007 às 17:24)
Hari Krihsna, Hari Hari
(WilliamAnalista, 1 ponto , Sábado, 30 de Junho de 2007 às 18:25)
Depois de uma vida tão massacrada, condicionada, cerciada, alimentada por coisas tão vazias e sem conteúdo. Só resta descobrir as alegrias de uma vida espiritual do tipo nirvana..... Até que.... Descoberta a agressividade humana e o desejo natural de luta pela vida. Tornam-se revolucionários quarentões. Compram uma camiseta preta, curta dessas que mostram a barriga, com uma caveira branca, se tem sorte uma moto grande, se não... Bom viram quarentões com uma vasta experiência de vida. Sabem tudo sobre bolachas, iogurtes, orkuts, e nada, mas nada, sobre bebês. Entram em pânico quando veem uma criança e criam instituições educacionais governamentais para criar uma outra geração de alienados. Descritos no livro de H.G.Wells, se bem me lembro como Mordocs ou Molocs, não me lembro agora, mas o nome do livro é a Máquina do Tempo. 1940.
Para que estamos criando nossos filhos, afinal?..
Tipo Massa de Manobra, Carne de Canhão, Enlatado para Indústria.
Que saudade do Pedro Alvares Cabral, Luis de Camões, Caminha, e os navegadores aventureiros por mares nunca dantes navegados....

Por isto estou navegando nas páginas de Portugal. Descobrindo novas culturas em uma velha cultura.

Ser um aventureiro virtual já é um bom começo.

William Silva
www.williamanalista.v10.com.br
São Paulo - Brasil

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Re: Geração recibo verde
(Aster, 1 ponto , Quinta, 27 de Setembro de 2007 às 10:18)
"Normalmente tudo começa com um estágio profissional, (...) É o primeiro passo no mundo do trabalho, a primeira experiência e às vezes única na área em que se estudou."

Tenho 26 anos, a experiência ainda não é muita... mas como me revejo neste comentário e quantos colegas meus andam entre as ditas bolsas de investigação e o recibo verde!

É triste.
responder 
Geração rasca vs. Geração à rasca
(Anónimo, 0 pontos , Terça, 1 de Maio de 2007 às 15:42)
Achei a sua crónica muito bem escrita. A "geração rasca", na qual eu me incluo, é hoje uma "geração à rasca" que de facto vive na corda bamba- exceptuando o caso de médicos, informáticos e "afilhados". Um país que não sabe (ou não quer) apostar nos seus jovens, é um país condenado ao falhanço, ou seja, à implosão social e económica.
Não é por acaso que estamos hoje na cauda da Europa
( e lá continuaremos por muitos anos...)

Cristina Pires
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  Re: Geração rasca vs. Geração à rasca
(Anónimo, 0 pontos , Terça, 1 de Maio de 2007 às 18:56)
  Re: Re: Geração rasca vs. Geração à rasca
(Anónimo, 0 pontos , Quarta, 2 de Maio de 2007 às 10:31)
  Re: Re: Re: Geração rasca vs. Geração à rasca
(Anónimo, 0 pontos , Quarta, 2 de Maio de 2007 às 16:06)
  Re: Re: Re: Re: Geração rasca vs. Geração à rasca
(Anónimo, 0 pontos , Sexta, 4 de Maio de 2007 às 23:22)
Re: Geração recibo verde
(Anónimo, 0 pontos , Terça, 1 de Maio de 2007 às 16:28)
Uma crónica bonita, de facto, que diz muitas verdades mas que não aponta os verdadeiros culpados desta situação, nem caminhos a seguir. Acho a crónica muito árida. Se esta geração está à rasca, não é menos verdade que está também a deixar a anterior à rasca, na qual eu me incluo e não tive a décima parte das facilidades que esta teve. Eu aos 20 anos tive que saír de casa dos meus pais, sem estudos nem dinheiro, e ir "esgravatar" porque lá não havia o que hoje há nas casas dos pais desta geração a que chamaram rasca. Não há nem deixa de haver gerações rascas. O que pode também haver é mais ou menos vontade de trabalhar. A necessidade é mestra do engenho. A crónica podia ter ido também no sentido de apontar muitos dos culpados de toda esta situação. Mas os verdadeiros culpados têm os filhos bem entachados.
responder 
geração rasca
(Anónimo, 0 pontos , Terça, 1 de Maio de 2007 às 18:37)
Penso que a geração rasca é a que criou essa a que chamam rasca a geração de abril, do "está tudo feito, agora o futuro é com eles" tenho 54 anos sou dessa geração, e também estou nos recibos verdes, tenho uma filha com 27, licenciada à procura do 1º emprego, eu comecei a tabalhar com catorze, e ela porque precisou de estudar tanto, para um país melhor? dirigido por quem? que escolas, encarregados de educação orientam as gerações do futuro?...
responder 
  Re: geração rasca
(Anónimo, 0 pontos , Terça, 1 de Maio de 2007 às 18:50)
  Re: Re: geração rasca
(Anónimo, 0 pontos , Terça, 1 de Maio de 2007 às 19:10)
Falando de gerações...
(Anónimo, 0 pontos (Divertido) , Quarta, 2 de Maio de 2007 às 0:57)
A geração do sr. Vicente Jorge Silva é bem conhecida. É a Geração Tasca.
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Grito de Socorro
(Anónimo, 0 pontos , Quarta, 2 de Maio de 2007 às 9:40)
Dêem-nos oportunidades
responder 
Excelente retrato
(Anónimo, 0 pontos , Quarta, 2 de Maio de 2007 às 11:22)
Excelente retrato da geração que foi rasca e hoje é iô-iô, assumindo caracterísitcas de gente grande (trabalhar, receber, sair à noite, ter carro, vida afectiva e sexual) e de gente pequena (viver com os pais e depender da ajuda deles). Como elemento que sou nem me consigo lembrar de um grito de guerra mas lá que há muito para mudar há...
responder 
POR FALAR EM RECIBOS VERDES
(Anónimo, 0 pontos , Quarta, 2 de Maio de 2007 às 13:23)
Já ouviram falar no blogspot " FERVE" do Alvim da radio Antena 3 e do programa PROVA ORAL. Participem

Podem chamar-nos de geração rasca , mas somos nós o futuro desta nação .
Somos nós que temos que fazer algo, e lutar para acabar com esta vergonha dos recibos.

Quando formos da idade deles no governo, seremos nós que lá estaremos , por isso vamos todos combater a vergonha desse recibo verde que nem sequer e verde . E AZUL
responder 
Os Rascas!
(Anónimo, 0 pontos , Quarta, 2 de Maio de 2007 às 13:27)
Também pertenco a essa geração rasca e foi com pena que vi partirem para a Alemanha e para Londres alguns dos meus melhores amigos. Os novos emigrantes, cujo valor que ganhavam quando estavam cá, a recibos verdes, não dava para pagar a segurança social de um trabalhador independente.
Não sentem vontade de voltar, tiraram uma licenciatura que não é valorizada neste país e entre ser caixa no Jumbo e acumular dívidas a segurança social optaram por partir, deixar a família por um futuro melhor.
Acredito que um governo, assim como numa empresa, tem de ter estratégias, apostar em áreas de futuro, vejamos o exemplo da Irlanda. Para que gastar o dinheiro dos portugueses em Ota´s e Tgv´s quando falta o esencial !?!
responder 
do outro lado oceano
(Anónimo, 0 pontos , Quarta, 2 de Maio de 2007 às 17:35)
Li este texto hoje, dia 02, um dia depois do dia do trabalho, e veja só, pode-se dizer o mesmo aqui no Brasil. Num mundo de informações globalizadas, o problemas se mostram também globais e nossas incertezas idem. Sou dessa geração, que viu a história do país acontecer e que acompanha pasma e olhos arregalados e boca aberta, com um sentimento de mãos atados sem saber ao certo oque o futuro reserva, para nós e para os que vem depois de nós. As faculdades dspejando no mercado de trabalho, centenas de novos, pouco experientes, ou nada, e mal preparados, salvo alguns poucos, e entre uns e outro, os que conseguem algum emprego que se dêem por satisfeitos e os outros tantos vão invariavelmete para a informalidade ficando sujeitos ao mercado de trabalho, ora aqui ora ali, procurando uma colocação, ou até buscando cursos de especialização para deixar o currículum mais interessante, sendo isso uma faca de dois gumes, pois melhorando o currículum vc pode estar dificultando ainda mais teu ingresso no mercado de trabalho...será? pois dizem que quanto mais qualificado maior o salário e podem não estar dispostos a pagar tanto pelos seu préstimos e cursos e assim vai. E nessa bola de neve que vai passar por cima de tudo e de todos, estamos nós, anônimos e desinteressantes habitantes de qualquer lugar, simplismente viviendo e vendo no que dá... não é assim?
responder 
muit bom
(Anónimo, 0 pontos , Quarta, 2 de Maio de 2007 às 21:01)
quero paenas dar os meus parabéns a esta excelente critica!á muito tempo que não lia nada tão real e tão actual.
responder 
na mouche
(Anónimo, 0 pontos , Quinta, 3 de Maio de 2007 às 0:29)
é tão desarmante este texto que estou nu e quero a minha mãe já, agora. faz mesmo frio e para aquecer morrer não é grande escolha, matar não sei... e ao manifestar-me, morro se não mato. uma insidiosa charada, dia após dia.
responder 
Saudades...
(Anónimo, 0 pontos , Quinta, 3 de Maio de 2007 às 9:26)
Depois de ler isto tudo que saudades de Salazar...
responder 
  Re: Saudades...
(ja, 1 ponto , Quinta, 3 de Maio de 2007 às 13:39)
Enrascados
(Anónimo, 0 pontos , Domingo, 6 de Maio de 2007 às 10:32)
Parece que esta geração vai continuar mesmo à rasca e a próxima será penso eu ainda pior. de qualquer maneira todas as gerações sofreram algum tipo de discriminação quando eram jovens. É comum achar-se que a geração que nos segue é sempre mais 'rasca' do que a anterior.
responder 
Por motivos difusos,mas outra vez de calças na mão
(Anónimo, 0 pontos , Domingo, 13 de Maio de 2007 às 0:04)
É tal e qual. Faço orgulhosamente parte desta “Geração Rasca”. Alvo do pejorativo rótulo daquela célebre manchete (num jornal que já foi de referência) que com aguda prepotência e total insolência foram preconizados pelo Sr. Jorge (aquele tipo que um dia foi jornalista, no outro, por mera coincidência, foi político, e ainda passou por argumentista de cinema). Sou da opinião que se aquela foto com uma malta a mostrar o rabo à polícia fossem de umas mocinhas janotas, a geração teria outro nome… Talvez Geração Lasca…
Cresci e convivi com os “rascas” numa comunidade “rasca” onde a amizade era pura, o divertimento uma constante e a aprendizagem um alimento. Apreciávamos momentos de bem-estar catarsicos e subliminares, fossem a destrocar um livro, um filme, um episódio da actualidade e do quotidiano e uma data de coisas entre as quais as oportunamente referidas na crónica. Graças a essa forma de estar, tenho vontade de continuar a aprender todos os dias (Será que a "geração playstation" pode dizer o mesmo? Espero que sim). Desejo que tanta aprendizagem, para além do prazer subjacente, resulte em algo concreto para uma pseudo-estabilidade futura e que o recibo verde amadureça e não apodreça.
Se me reportar ao passado sinto incondicionalmente orgulho nessa geração, porque aquele baptismo não foi estéril. Existia uma causa (que nunca descobri se foi ganha). Essa geração que outrora foi a geração do futuro e que hoje é o futuro, deixa-me um amargo na boca. E agora? Hoje… Será que não há causas? Com certeza que não são as mesmas da “Geração de Abril”, mas então, porque é que não se luta? Lutar não é simplesmente protestar, reivindicar de braços tombados… É agir. O que revolta é não ser fácil agir numa sociedade selvática cada vez mais sufocada pela ausência de princípios e valores. É desmotivante lidar com chefes (sejam gestores ou governantes) analfabetos, pouco sérios e míopes com uma visão sobre a aposta na juventude que se baseia numa lógica de escravatura e de tal maneira abrangente que não ultrapassa o umbigo (e bolsos) dos próprios. Chavões do costume “É preciso formar os jovens, para desenvolver o país” deviam ser alterados para “Substituam-se os chefes para aumentar a produtividade do país”. Estes tipos são genericamente nabos e têm uma mentalidade caturra, gerem mal as empresas, acreditam que a motivação das pessoas ainda reside no chicote e não souberam (também já é tarde) actualizar-se ao novo século…
De facto, assim não é fácil agir, mas não é impossível. Um grito de guerra deve ser silencioso e poderoso. Se vamos… chegaremos, se havemos… ficaremos… de calças na mão…
... Crónica deliciosa... De referir que além de crescemos a ver o Chanquete do "Verano Azur" e do Marco, tivemos o privilégio de apreciar os “Jovens Heróis de Xaolin”, o desajeitado "Tom Sawyer", a enigmática "Les Adventures des Cités D´Or", o "Conan - O Rapaz do Futuro", a fabulástica "Galáctica" ...
responder 
Geração dos 500
(Anónimo, 0 pontos , Sexta, 15 de Junho de 2007 às 14:14)
Concordo com tudo o que foi dito pela Clara. Infelizmente Também faço parte dessa geração, que um dia sonhou ter um emprego com condiçoes, com regalias sociais. Tirei um curso superior e há cinco anos que vou conseguindo uns biscates a recibo verde!
É a exploração total da nossa geração, a geração dos 500 euros, pois para além de estarmos subjugados ao recibo verde ainda nos pagam mal!
É o país que temos, não admira que os jovens licenciados prefiram limpar escadas em outros países da europa, do que se submeter à humilhação e à precaridade em Portugal!
responder 
Geração Rasca?!??!?!
(Anónimo, 0 pontos , Sábado, 21 de Julho de 2007 às 1:06)
Pessoal...... gostei de ler o post, no entanto não deixo de contestar.....eles falam, falam, falam e não fazem nada!!!!
A verdade acaba por ser essa!!!Muitos e muitos jovens estão acomodados....acomodados porque quem está no centro do poder, nos bons empregos e nos belos tachos são os nossos pais, avós e tudo mais!!!!
Portanto enquanto os pápás continuarem a trabalhar até aos 65, nada feito para ninguém, porque não se pode de forma alguma perder o unico local onde ainda há segurança...a casa dos pápás!!!!
Sinto portanto que o belo jovem tuga rasca, na verdade ainda se desenrasca, e que por se conseguir desenrascar tão bem é que está na situação actual, conformando-se com as situações de emprego propostas e levando ao desinteresse pela luta na MUDANÇA da realidade vivida.
Eu cá vou lutando dia-a-dia, mas a lutade poucos não dá em nada e como tal mais cedo ou mais tarde vou para o estrangeiro.
Aguardo que a geração rasca, demonstre a força que adquiriu a sobreviver nesta realidade e que se revolte!!!!
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Documentario Recibos verdes
(Anónimo, 0 pontos , Terça, 18 de Dezembro de 2007 às 15:13)
Olá,

O meu nome é Daniel Carneiro e estou a fazer uma pesquisa exaustiva sobre os Recibos Verdes e o trabalho precário em geral em Portugal

A ideia base é dar a conhecer as condições às quais os trabalhadores precários a recibo verde estão sujeitos.
Explicar, por exemplo, como não tem direito a baixa mesmo pagando acima de 150€ por mês para a Segurança Social. Ou direito a subsidio de desemprego, etc...

Gostava de poder contar com a vossa ajuda. Contem-me a vossa história!!!

O meu contacto é:
Daniel Carneiro
email: daniel.carneiro@netcabo.pt
Qualquer dúvida ou questão não hesitem em contactar-me.

Obrigado,
Daniel Carneiro
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  Re: Documentario Recibos verdes
(Anónimo, 0 pontos , Sábado, 10 de Maio de 2008 às 11:12)
Obrigada
(Anónimo, 0 pontos , Sexta, 11 de Janeiro de 2008 às 15:49)
Ao ler o comentário foi como se me estivesse a olhar em frente a um espelho. Apôs de tanta ambição, dedicação e vontade de contribuir para uma sociedade melhor, dou por mim sem forças e cançado de lutar contra os intresses de muitas s.a e grupos de pessoas apenas preocupadas na vida de luxúria e imunidade a que estão acostumados. A minha mensagem para estes seres é que o unico contributo que sem dúvida iram deixar à humanidade é as familias estragadas, infancias perdidas e sonhos de milhares de jovens para sempre destruidos.
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Recibos Verdes qual Segurança
(Anónimo, 0 pontos , Quinta, 21 de Fevereiro de 2008 às 18:29)
Boa tarde

Como trabalhador por conta de outrem e conhecedor de muitos casos de Trabahadores Independentes (aonde?) com recibos verdes só tenho a dizer que é imoral a forma como este Estado consegue cobrar destes, para a Segurança Social no mínimo (ano de 2007) 151 Euros (1,5xSMNx25,4%) sem qualquer regalia (baixa, subsídio de desemprego, etc). Significa que no mínimo terá de descontar só para a Segurança Social 1820 Euros sem qualquer regalia. Como a maior parte dos trabalhadores nesta situação (Empregados no Estado ou biscateiros), ganha pouco mais que o salário mínimo significa que mais de metade vai para o Estado.
Haja moralidade por parte dos Senhores políticos, por favor.

Sem mais, os meus agradecimentos
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Toureiro - Menino de 12 anos!!
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Escutas divulgadas de forma criminosa, diz PS
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Entender a "crise"...através de uma pequena história!
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A corrupção continua!!
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Tenho de conseguir
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[ Sexta, 15 de Janeiro às 19:47, lido 1602 vezes]

Entender a "crise"...através de uma pequena história!
contribuído por Henrique Neto
[ Domingo, 24 de Janeiro às 9:32, 41 comentários]
Ái queres Gato??
contribuído por Almart
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Tenho de conseguir
contribuído por antoniojscordeiro
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