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Clínicas recusam planeamento familiar a jovens
A maioria dos serviços recusa o apoio aos jovens, encaminhando-os para os centros de saúde da sua área de residência.
Um estudo da
Deco
, envolvendo um grupo de jovens do sexo feminino, conclui que a maioria dos serviços nega consultas de planeamento familiar.
Num universo de 85 estabelecimentos de saúde, incluindo centros regionais, hospitais e delegações do Instituto Português da Juventude, mais de metade encaminhou as jovens, com idades compreendidas entre os 15 e os 20 anos, para o centro de saúde da sua área de residência, mesmo depois de recusarem esta hipótese.
Em 10 serviços não foram propostas alternativas, e em 12 as jovens foram encaminhadas para Centros de Atendimento ou delegações do Instituto Português da Juventude.
Aquelas que conseguiram dar entrada nos estabelecimentos (36) foram quase sempre bem atendidas, refere a associação de consumidores, obtendo a informação necessária sobre métodos contraceptivos. Destes serviços, quatro chumbaram, por motivos que incluem a falta de aconselhamento sobre o uso do preservativo e de questões sobre a saúde e actividade sexual das utentes. Em 14 visitas não foram oferecidos métodos contraceptivos, inexistentes em alguns casos.
O estudo mostrou ainda que é mais fácil obter informação nas grandes cidades, como Lisboa, Porto e Coimbra. Évora, Viseu e Faro chumbaram no teste.
Perante estes resultados, Ana Henriques, colaboradora da Direcção-Geral da Saúde (
DGS
) para a área do planeamento familiar, considerou que «não se pode deixar nenhum adolescente com um pedido de planeamento familiar sair sem nada na mão».
Em declarações ao Jornal de Notícias, a responsável lamentou a situação detectada pela Deco, mas relativizou a amostra: «há um incumprimento, ou um esquecimento no sentido de orientar os serviços, por não ser habitual haver procura de centros de saúde fora da área de residência».
Já Duarte Vilar, da Associação de Planeamento para a Família (
APF
), não se mostrou surpreeendido. A lei estipula que apenas os centros de saúde devem prestar cuidados de planeamento familiar, na maioria dos casos por intermédio dos médicos de família. Actualmente, apenas 57,3% de unidades disponibilizam consultas para adolescentes, o que revela, segundo o responsável, «falta de adequação dos serviços de saúde».
Para Duarte Vilar urge criar condições para «dar resposta a jovens», no capítulo do planeamento sexual, impedindo as gravidezes indesejadas e o propagar de doenças sexualmente transmissíveis.
Informação adicional:
Estudo da Deco
Informação para jovens - APF
JC, Terça, 29 de Maio de 2007 às 16:24
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