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Aqueles miúdos não dão votos
por Hernâni Carvalho
Os jovens internados nos centro educativos não são prioritários porque
não dão votos.
Os centros educativos têm um nome sonante e é tudo. Não educam, não
preparam, apenas adiam. Maioria das vezes, os jovens ali internados
chegam à maioridade e são detidos.
Chegados aos 18 anos, saem das pautas dos miseráveis resultados do
Instituto de Reinserção Social (IRS) e entram nas prisões.
Os centros deveriam educar, reinserir e preparar para a cidadania. É
uma lenga lenga que está na Lei e que é usada em inúmeros, mas
inúteis, seminários pagos pelo contribuinte, que ocorrem pomposamente
pelo país. São seminários dados por e para funcionários públicos.
Ocorrem em horário de expediente, são pagos por todos nós, mas têm
resultados nulos.
Os menores que cometem crimes são julgados pelos tribunais de Família
e Menores que, em função da gravidade do delito, da personalidade do
jovem delinquente e do contexto em que o crime é praticado, decretam
uma medida de internamento num centro educativo.
Por cada rapaz internado num centro educativo há dois funcionários.
Isto nos números. Porque no terreno há ainda menos gente. O IRS terá
funcionários suficientes, mas muito mal distribuidos. O escandâlo é
tal que ficaria muito mais barato interná-los em qualquer colégio
europeu de primeira categoria.
É só fazer contas. Cada jovem internado
custa em média 6000 euros ao Estado Português. Se fosse internado em
Eaton (um dos mais caros e elegantes colégios britânicos) custaria
4000 euros e saía de lá a tocar piano, a falar francês, a saber
esgrima e a andar a cavalo. Os nossos saem dos centros educativos para
as prisões.
Custa mas é verdade! Há excepções. Claro. Mal de nós. Mas
a regra é esta. É só consultar os números. Porque é que isto não muda?
Porque os jovens internados nos centro educativos não são
prioritários. Não têm visibilidade, a maioria deles são de origem
humilde, blá blá blá... Diga-se o que se disser, a verdade é outra:
Aqueles miúdos não dão votos!
Hernâni Carvalho, Quinta, 29 de Novembro de 2007 às 8:34
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